UM ENSAIO INÉDITO DE RUY VENTURA SOBRE A REGIÃO DA ARRÁBIDA

Mapa ArrábidaDe Ruy Ventura, poeta e investigador que integra a Direcção do Círculo António Telmo, publicamos hoje, como anunciado, um ensaio inédito (súmula de um estudo mais amplo e aturado, a desenvolver futuramente) sobre o carácter sagrado da região da Arrábida, em que o autor, cruzando, na senda de Moisés Espírito Santo e de outros investigadores, o estudo da toponímia, da geografia e da simbólica religiosa, nos oferece a demonstração cabal da centralidade espiritual do vale de Sesimbra (e quem diz o vale terá depois de dizer a vila), ponto de cruzamento de dois eixos: um, horizontal, ligando as duas ermidas da Memória, a do Espichel e a da Arrábida, e que encontra naquele vale o seu centro geométrico, pela marcação rigorosamente observável na cartografia; outro ou outros ramificando-se verticalmente por uma série de templos cujos oragos nos oferecem significativa consagração simbólica do território. A esta determinação geográfica acresce um dado etnológico que o autor colheu há poucos dias na Procissão do Senhor das Chagas, sorte de aristotélico motor imóvel a que, do Senhor do Bonfim, de Setúbal, à Senhora do Cabo, passando pela Senhora da Atalaia, vêm prestar vassalagem espiritual as confrarias da região. Como se a cruz do Redentor, cuja Invenção a grande festa de Sesimbra, com a sua procissão magnífica (possivelmente a maior em Portugal a Sul do Tejo), exalta, replicasse simbolicamente o encontro territorial que Ruy Ventura, espantosamente, nos desoculta agora, sancionando as sucessivas intuições de um Rafael Monteiro, de um António Telmo ou de um Agostinho da Silva dando Sesimbra como o axis mundi do sacro campo arrábido. Entre muitos outros méritos, o ensaio supreendente que agora gostosamente revelamos, e que, com possíveis aditamentos, será objecto de publicação em Confluências, quinto volume dos Cadernos de Filosofia Extravagante, oferece asserções insofismáveis em sua rigorosa positividade. Agostinho, que tinha em Sesimbra a morada segunda, sabia por certo mais do que dizia quando afirmou ser a Piscosa o lugar onde “devem surgir os primeiros núcleos em que o poder de criação que está oculto em Portugal desde o século XV desperte, ganhe forças e ajude a tirar Europa e América dos becos em que se meteram, os de se julgarem superiores, e ajude a tirar pretos, amarelos e vermelhos dos outros becos, os de se julgarem inferiores, em que a ciência volte a ser humana e de todos, como nas caravelas o foi”. Com o ensaio de Ruy Ventura, que pode ser lido aqui, ficamos, por certo, a compreender melhor o motivo de uma tal — e tão séria — afirmação.

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