DE JOSÉ PAULO ALBUQUERQUE, SOBRE ANTÓNIO TELMO, PARA «CONFLUÊNCIAS», 5.º VOLUME DOS «CADERNOS DE FILOSOFIA EXTRAVAGANTE»

a verdade do amor“As conexões da «verdade do Amor» de António Telmo não se cingem à verdade do Amor revelada por Sócrates no Banquete. Mais evidente é o entretecimento com a obra de Soloviev também intitulada «A verdade do Amor».

Tenho para mim que a evidência da conexão vai além da obra de Soloviev e que se traduz efectivamente no cumprimento de um mandato instituído por Álvaro Ribeiro e a que António Telmo correspondeu.

Esse mandato está atestado na apresentação que Álvaro Ribeiro faz da obra de Soloviev onde a dada altura diz que «faltando a palavra autorizada daqueles que de viva voz deveriam exercer a superior função educativa, recorram ao livro, ao teatro e ao cinema todos quantos se preocupam com o problema humano, o segredo natural e o ministério divino que designamos pela palavra Amor».

António Telmo ouviu e viu e recorreu ao teatro para nos dar a sua verdade do Amor.

Contrário ao positivismo que não satisfaz os espíritos ávidos de mais-além e que expulsa a ideia do Amor do círculo do pensamento, por não ter solução positiva e estar fora da classificação das ciências, o Amor é remetido para o sentimento e para a literatura. Para revelar o ministério divino do Amor recorre-se ao livro, ao teatro e ao cinema.

António Telmo aceitou o mandato do seu mestre e traduziu em teatro a verdade do Amor de que comungava o esperançoso, profético e messiânico Soloviev.

O livro de Soloviev – como Álvaro Ribeiro sugeriu – pode ter-se como o breviário de quem quiser reintegrar o Amor humano nas verdadeiras leis de Deus[1].

O intento do Amor humano é a justificação e a salvação da individualidade pelo sacrifício do egoísmo (não basta apenas ser amado, como as crianças, é preciso amar). Egoísmo que representa a mentira e a morte, a negação aos outros da mesma importância absoluta que se atribui a si.”


De José Paulo Albuquerque antecipamos ao leitor um excerto da sua comunicação “A Verdade do Amor . O teatro de António Telmo”, apresentada ao colóquio “Do Amor”, que se realizou no passado sábado, na Biblioteca Municipal de Sesimbra. Neste ensaio, que sairá a lume em Confluências, quinto volume dos Cadernos de Filosofia Extravagante,  se recorta, com inconfundível nitidez, e a partir da matiz leonardina, a concepção do Amor da escola télmico-alvarina de Filosofia Portuguesa. 

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